Dicas de Vinhos para seu Final de Ano

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Dezembro chegou e passa rápido, trazendo a atmosfera festiva das celebrações de final de ano. É hora de reunir a família e amigos, participando de confraternizações, que criam uma energia e luz próprias desta época. E agora que o Natal e Fim de Ano estão batendo às portas, nada melhor do que tomar três atitudes:

  • Desapegue das coisas ruins que devem ficar no passado.
  • Agradeça por tudo de bom que aconteceu em 2020 e torça para que 2021 seja melhor ainda.
  • Planeje o seu Fim de Ano e 2021. Desta forma, tudo ficará mais fácil de ser alcançado.

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E para planejar o seu jantar e vinhos para este final de ano, aqui vão algumas dicas simples:

Em geral, as pessoas valorizam o Natal e Reveillon pela alegria de juntar a família e os amigos. Boa comida e vinho é um prazer extra! Mesmo que a comida e a bebida não sejam tão boas, não importa, apenas um pecado pode estragar estes feriados: ficar sem vinhos!

Certamente, alguns convidados se importam mais com o vinho do que outros, que bebem alegremente o que for servido, afinal, ninguém imagina que numa festa destas haverá grandes e míticos rótulos. Embora o vinho nunca faça ou acabe com a festa, é fácil dar algumas dicas. Estas são as principais:

  Imagine ter uma garrafa por participante que bebe no jantar   

Pode parecer muito, mas confie em mim, você precisa mais do que calculou inicialmente.
Provavelmente, o grupo familiar e de amigos não vai beber tudo, mas isto não fará mal. Garrafas extras podem ser bons presentes de despedida para os amigos quando deixarem o encontro.   

Planeje ter vinhos brancos e tintos 

É mais fácil selecionar um vinho de cada estilo e comprar várias garrafas deles, mas também é divertido ter uma variedade de opções, o que pode resultar na abertura de várias garrafas ao mesmo tempo. Assim, cada um beberá do que gostar mais. Mas certamente, isto pode ser um desafio para sua tolerância à desordem que poderá ser criada.      

Mantenha tudo simples 

Você pode complementar a mesa de vinhos com uma seleção fora do comum ou outras alternativas, mas é hospitaleiro servir espumantes, brancos, tintos e talvez um rosé. A menos que você tenha uma multidão de intrépidos fãs de vinho, não é hora de sujeitar seus convidados a estilos desafiadores. Abra uma dessas garrafas para os curiosos, se quiser, mas lembre-se, o vinho servirá para as festividades. Não deve ser o centro das atenções, mas deverá agradar “gregos e troianos”. Quanto ao vinho, fique na sua zona de conforto e escolha adequadamente. Seus convidados apreciam o vinho ou apenas o bebem? Você precisa impressioná-los ou simplesmente saciá-los? Compre de acordo com estas considerações.

Mantenha a Energia e Alegria do Momento

O Natal e o Reveillon são um teste de resistência: você quer vinhos mais energéticos do que aqueles que darão sono. Isso significa um teor relativamente mais baixo de álcool, com muita acidez fresca e viva. Bolhas ou vinhos doces, mesmo os bem equilibrados, podem ser cansativos a longo prazo. Esses vinhos podem estar presentes, mas não devem ser as opções principais.  

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Opte por vinhos mais leves 

Algumas uvas são interessantes para estes momentos: Sauvignon Blancs e vinhos de Chardonnay sem longas passagens por madeiras serão bem vindos na abertura e recepção dos convidados se alguém não gostar de espumantes. Para vinhos tintos, Pinots, Merlots, Carmeneres, Cabernets Sauvignon e Franc serão sempre bem vindos. Tenha mais cuidado com teor alcoólico, em especial dos Malbecs e Syrahs. Evite vinhos muito encorpados ou com muita presença de madeira. 

Bolhas combinam com tudo 

Vinho espumante é refrescante e limpa o paladar. Um gole de espumante irá prepará-lo para a próxima mordida, o próximo prato, a próxima sobremesa. Seja um prosecco, um cava, um espumante brasileiro ou um verdadeiro champanhe, você decide conforme seu gosto e seu orçamento. Mas não limite necessariamente as bolhas ao seu aperitivo de boas-vindas. Eles também podem harmonizar com alguns pratos. Os sabores de frutas vermelhas (morangos e cerejas) de um espumante rosé podem encantar e harmonizar com o molho do peru do Natal. E cada mordida e gole será uma celebração deste momento em família e entre amigos. Aliás, os espumantes rosés devem ter crescimento em vendas nas festas deste fim de ano, junto com os vinhos rosés pelo fato dessas bebidas combinarem muito bem com o calor típico do verão brasileiro, e não somente para o brinde de Natal e Ano Novo. 

Pense duas vezes sobre vinhos

Se o seu encontro é um jantar para oito pessoas, vá em frente e combine vinhos com pratos específicos. Neste ano não há como pensar em algo maior, para 30 ou 40 pessoas, para evitar as aglomerações. Portanto, não seja exigente. Não se limite a um único vinho. Abra uma variedade. Talvez nenhum vinho combine com tudo na sua mesa, mas quase todos combinam bem com alguma coisa. Escolha vinhos versáteis que geralmente são ótimas opções com comida. Os vinhos com taninos pronunciados, doçura ou aromas de carvalho serão menos versáteis que os vinhos secos com boa acidez. Os vinhos com acidez vibrante geralmente incluem Sauvignon blancs, Chenin blancs, certos Chardonnays, Rieslings e muitos brancos italianos. Os tintos incluem Barberas, muitos Pinot noirs e vinhos de regiões de clima frio. Sua escolha também pode ser em função do estilo de um produtor, e não da uva.  

Lembranças confortáveis 

E como essas festas são uma celebração da família, pense em sua herança. Se seus avós vieram da Campânia ou Croácia, Líbano ou Grécia, você pode facilmente encontrar vinhos dessas regiões nas prateleiras das lojas e supermercados. Por outro lado, há uma grande abundância de vinhos portugueses, italianos, franceses, espanhóis, argentinos e chilenos que irão combinar com pratos típicos das nossas tradições familiares.

Salve seus vinhos caros ou diferenciados para pequenas reuniões 

Para festas grandes, pense em gastar valores acessíveis por garrafa. Seja guiado pelo seu orçamento, mas saiba que as chances de encontrar vinhos interessantes aumentam exponencialmente se você dispor de algum recurso a mais. Mais uma coisa: os vinhos caros recém-adquiridos geralmente se beneficiam do envelhecimento adicional. É mais provável que os vinhos com preços moderados sejam mais agradáveis para estas festividades.

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Safras Maduras

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No processo de orientação de Confrarias de Vinho tenho me deparado com perguntas interessantes  sobre a questão “safra do vinho”.

Há perguntas de todo tipo, tal como até que ponto uma safra importa na qualidade do vinho ? Porque vinhos de safras diferentes têm preços diferentes ? Melhor beber vinhos jovens ou melhor bebê-los maduros ?

Então, vamos tentar esclarecer alguns pontos desta questão. A primeira delas vem a ser o que quer dizer “safra”. É o período compreendido entre o preparo do solo para o plantio até a colheita de determinada cultura. Em Portugal a colheita das uvas é tão importante que a palavra elegida para definir esta atividade é “vindima”. Como a floração, o desenvolvimento dos cachos de uvas e colheita se dá no mesmo ano, safra portanto, descreve todo este processo.

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Em alguns anos as condições climáticas favorecem a melhor formação e maturação dos cachos e bagos, e têm-se a possibilidade de produção de grandes vinhos, criando o conceito de safras excepcionais. Além disto, há o ditado que “quanto mais velho, melhor!”, mas se o vinho for de uma safra medíocre, “quanto mais velho, pior será !”. A idéia de que um vinho antigo é melhor e mais valioso é tão aceita quanto o fato de que sua qualidade estar associada ao preço que se paga pela garrafa.

O que é importante é mostrar que vários “ditados” na realidade não condizem com os fatos que podem apurados nas provas de vinhos. Como trabalho com degustações “ás cegas”, nas quais os vinhos são provados sem saber o que está sendo bebido, há a vantagem de não ser criado nenhum pré-conceito em relação a garrafa que está sendo servida. As degustações às cegas são verdadeiras provas de humildade, nas quais muitas vezes um vinho de valor mais acessível ganha o gosto dos participantes na degustação, provando muitas vezes que nem sempre o mais caro é melhor.

De longe, a razão mais importante e impactante para que um vinho fique diferente a cada ano é o clima, pois numa mesma região, num mesmo vinhedo, é comum que elas possam variar ano após ano. E mais difícil ainda as condições climáticas (especialmente o regime de chuvas e temperatura) sejam perfeitas em todos os anos. Assim, o homem procura adaptar os vinhedos as estas condições regionais específicas, plantando clones mais propícios evitando os problemas que o clima pode causar. O excesso de chuvas deixa a polpa da uva muito diluída, enquanto que temperaturas muito baixas não permitem que a fruta amadureça de forma eficiente. Assim sendo, podemos dizer que os vinhos de regiões de clima instável sofrem muito mais alteração ano após ano do que de regiões mais estáveis e previsíveis como Mendoza, onde chove menos de 300mm por ano.

Existem outros fatores que influenciam a qualidade do vinho a cada ano. A atuação do enólogo pode fazer toda a diferença na qualidade final do vinho, mesmo que o ciclo da videira não tenha sido o esperado, a verdade é que as técnicas de produção têm-se desenvolvido favoravelmente.

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Vinhos mais baratos e de marcas mais populares, com processo de produção em grande escala industrial, apresentam pouca ou quase nenhuma variação entre uma safra e outra. O processo dificilmente muda de um ano para o outro e os produtores utilizam de artifícios que compensam problemas que podem ter sido causados durante a safra, tais como a evolução do ciclo da videira, regime de chuvas, temperaturas extremas, e assim por diante.

Uma boa forma de aprender avaliar as variações entre as safras é degustar vinhos maduros junto com vinhos mais jovens. As frutas maduras dos vinhos jovens vão cedendo espaço para aromas etéreos, de couro, defumados, tabaco, café, mostrando a complexidade do bouquet formado pela guarda na garrafa.

Recentemente provamos numa degustação os vinhos Chateau Latour Malartic Pessac-Leognan 96, Seña 96, Alion Vega Sicilia 97, Ser Giovetto Roca della Macie 97, Cabo de Hornos 98, Crozes Hermitage Domaine des Remizieres 98 como safras maduras, junto com o Guado al Tasso 2007 e Excelsus Banfi 2009 como safras novas.

Ao final da noite, às cegas, por votos, o vinho Chateau Latour Malartic Pessac-Leognan 96, com 18 anos de guarda, tendo atingido sua plena maturidade foi eleito como o melhor da noite. Na realidade, todos eram vinhos excelentes, mas ele cresceu ao longo do tempo em taça, revelando nuances de aromas e complexidade além das expectativas. Em paralelo aos votos no final da degustação, preenchemos uma ficha de anotações e estatísticas, e fazendo o resumo destas avaliações, o Guado AL Tasso 2007 atingiu a mesma nota do Latour Malartic, com 92 pontos.  Prova que o Guado AL Tasso tem muito a crescer com a guarda.

No final das contas, avaliar a importância da safra também depende do nível de conhecimento do degustador, do volume de vinho que degustou ao longo da vida, percebendo as diferenças entre regiões e sutilezas de cada safra, e ainda da intenção de cada produtor. É claro que enólogos ou entusiastas, que estudam as regiões e seus vinhos, vão procurar entender as diferenças e comparar cada ano em particular, elegendo as melhores safras.

Por outro lado, se você só quer degustar o vinho com uma refeição ou enquanto relaxa com uma boa companhia, a safra não precisa ser um motivo de preocupação. As diferenças para vinhos do dia-a-dia não são tão significativas e o consumidor em geral não conseguirá perceber as nuances se não tiver duas ou mais safras ao mesmo tempo para comparar.

De qualquer forma, fica o convite para você buscar perceber estas nuances e ir aprofundando seu conhecimento em vinhos.

No mais é provar e brindar!!! Saúde !!!

(Baseado em artigos da internet)

Contatos: Márcio Oliveira – contato@vinoticias.com.br

Cinco mitos sobre vinho

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SÓ OS VINHOS CAROS SÃO BONS – Vinhos caros são só caros. Vinhos bons se encontram para todos os gostos e bolsos. Provavelmente os vinhos bons podem ser caros, mas o preço não é nem será atributo da qualidade. Muitos rótulos são mais “fama” do que qualidade. O importante é encontrar bons vinhos que caibam no seu orçamento.

O preço de uma garrafa de vinho não é necessariamente um fator determinante de sua qualidade. Você pode aproveitar uma taça incrível – e beber alguns dos melhores exemplares do mundo – por valores mais amigáveis do que se imagina.

Mas então o que exatamente encarece a bebida? Na Europa o vinho é tido como um alimento e, por isso, possui taxas menores. Já no Brasil ele entra na categoria de bebidas alcoólicas. Com isso as taxas por aqui acabam sendo bem diferentes. Além disto, nos processos de negociação dos vinhos podem existir intermediários, negociantes ou importadoras e a questão é que, quanto mais intermediários, maior o preço final do produto.

 Por incrível que pareça, a garrafa influi no preço do vinho. Quanto mais espesso o vidro mais caro o vinho é. Pode-se dizer que em relação ao peso, à cor e à espessura, a garrafa pesada só beneficia vinho de guarda. Vinhos para serem consumidos jovens não precisam de garrafas pesadas. Não é à toa que a garrafa de brancos geralmente são transparentes, para mostrar como o vinho está cristalino e claro. Ainda há a história do fundo côncavo, que serve somente para evitar que a garrafa quebre e se encaixe melhor na linha de engarrafamento. Não tem nada a ver com a qualidade do líquido. Então aquele papo de “vinho bom tem que ter aquela bundinha” é uma das maiores balelas sobre a bebida. É importante pontuar que espumantes geralmente são mais caros por uma questão de segurança: pressão interna que pode explodir a garrafa, gaiola, rolha diferenciada.

E ai entra a questão da rolha. Uma simples rolha de cortiça é bem mais cara que a screwcap, por exemplo. Vinhos de consumo imediato são produzidos com tampas de roscas, já que não necessitam de envelhecimento, e mesmo assim, muitos envelhecem muito bem. A rolha ajuda na micro-oxigenação para o vinho envelhecer com qualidade durante anos. Mas serve somente para vinho de guarda, que geralmente tem preços maiores. Todo vinho tem a sua estratégia de marketing. Um vinho mais acessível em preço não precisa de todo esse preparo. Economize e seja feliz.

Há a questão do tempo que o vinho passa dentro da barrica e que encarece o produto, porque além da questão do custo de uma barrica nova de carvalho, a vinícola não está gerando dinheiro com a comercialização do produto. E se a quantidade de garrafas produzidas a cada safra for pequena, será comercializado por valores mais alto.

 Em resumo, vinhos de melhor qualidade costumam ser mais caros, mas o valor em si nem sempre é garantia de qualidade ou que você gostará dele.

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VINHOS NACIONAIS SÃO RUINS – Vinhos ruins são ruins. Os Vinhos Nacionais evoluíram muito na última década e chegam a fazer bonito quando degustados às cegas junto a bons vinhos internacionais. Devemos perder esta mania de depreciar o produto nacional frente ao importado.

Espalhados pelas prateleiras das adegas nos supermercados, os vinhos nacionais lutam por um espaço na taça do brasileiro. Os rótulos chilenos, e argentinos ainda são preferência dos consumidores do Brasil: representam 53% das importações no país, de acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). No entanto, nos últimos anos, isso vem mudando. O reconhecimento internacional dos rótulos produzidos no Brasil aumentou, o que resultou em um crescimento de exportação acima de média já em 2018.

O espumante brasileiro abriu as portas para o mundo. O reconhecimento da qualidade das borbulhas “brasileiras” é fato consumado, defendido por críticos internacionais e avalizado pelas várias medalhas mundo afora, e se confirmando no avanço das exportações e no aumento do consumo interno. Foi com esta bebida que as vinícolas conseguiram espaço para mostrar o que vêm fazendo em relação aos vinhos tranquilos. E o que se vê nos últimos anos é um crescimento contínuo na valorização deste estilo de vinho.

Além disto, tivemos safras excepcionais em 2018 e 2020. Com a pandemia, o hábito de apreciar um vinho em casa não apenas levou o consumidor a pesquisar e comprar mais pela internet como nos supermercados, e vem permitindo conhecer melhor o que o Brasil tem feito.

Além da qualidade, a diversidade de estilos também é um estímulo para quem aprecia vinhos e busca por novidades. Hoje, são 26 regiões produtoras em 10 estados brasileiros, sem esquecer de nossa Minas Gerais, e cada região com suas particularidades. E para quem diz que o vinho brasileiro é caro, o mercado mostra que existem dezenas de opções de bons rótulos a partir de R$ 40 e R$ 60, com excelente relação custo-benefício.

O TEMA É MUITO COMPLICADO – As pessoas é que são muito complicadas. É como dirigir, só parece complicado para quem nunca o fez. O assunto é simples. O problema é que a maioria das informações são tão completas e complexas, que muitos livros são verdadeiros testamentos, trazendo informação fora do alcance para a maioria dos mortais, gente comum, pessoas como eu e você. O Vinho é um tema ao alcance de todos. A distância de entender melhor o tema é a de uma taça de vinho ou de um saca-rolha.

EU TENHO QUE ENTENDER DE VINHO PARA APRECIÁ-LO – Você não precisa conhecer um bom vinho para apreciá-lo. O que você precisa saber sobre vinhos para escolher, comprar, beber e gostar, é muito pouco; é como dirigir um carro, depois que você aprende,  dirigirá com segurança e vai adquirindo experiência, quanto dirigir por mais tempo.  Você assiste um filme e não precisa entender de fotografia, cenários, figurinos, etc,  para dizer se gostou ou não do filme…

VINHO DÁ DOR DE CABEÇA NO OUTRO DIA – Qualquer produto mal feito faz mal a saúde. Vinhos ruins darão dor de cabeça e no bolso também. O vinho, como qualquer alimento, possui substâncias químicas usadas como conservantes. Nos vinhos de baixa qualidade, os conservantes são usados também, para encobrir defeitos, falta de higiene e torná-lo bebível. Somado ao açúcar adicionado a vinhos de baixa qualidade, feitos com uvas inadequadas, produzem substâncias que criam a “dor de cabeça no dia seguinte”.

O ideal é tomar vinho e hidratar-se com água e comer algum alimento (e melhor ainda se ele harmonizar-se com o vinho). A falta de hidratação em alguns casos pode dar dor de cabeça. Então, um grande segredo: se bebeu vinho à noite e vai dormir, antes de deitar-se beba um copo de água. E se bebeu vinhos espumantes ou brancos, beba dois copos mesmo que não tenha vontade. Isto vai ajudar por que os vinhos brancos e espumantes apesar de parecerem mais leves, são mais diuréticos.

No mais é provar e brindar!!! Saúde !!!

(Baseado em artigos da internet)

Contatos: Márcio Oliveira – contato@vinoticias.com.br

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Quando o vinho é o ingrediente da comida

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Quem não se lembra emocionado do filme “A Festa de Babette” quando o vinho deixa de ser o coadjuvante na cozinha para ser o principal fio condutor do jantar servido aos convivas?

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Em muitas receitas, especialmente da gastronomia clássica e tradicional européia, o vinho entra como o principal ingrediente da comida. Assim é com o “coq au vin”, “boeuf bourguignon”, “stracottos italianos”, “brasato al barolo”, “risotto al barolo”,  ou a sobremesa como “Pêras ao Vinho do Porto” entre outras.

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Boeuf bourguignonCoq au vin

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O vinho tem capacidade de harmonização com diversas receitas, acrescentando aromas, sabores, texturas e por que não dizer, acrescentando cores aos pratos. Isto é válido para todos os estilos e cores de vinhos.

Há no mercado vários livros sobre o tema, como o da sommelier Deise Novakoski e do chef executivo Renato Freire – “Enogastronomia: a arte de harmonizar cardápios e vinhos” (Ed. Senac), no qual os autores mostram o quanto o vinho pode ser um ingrediente importante e versátil nas receitas dos pratos.

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Livro de Enogastronomia: A arte de harmonizar cardápios e vinhos de Deise Novakoski e Renato Freire

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Lembram-nos do quanto é importante “marinar” (peixes, carnes e aves), usar o vinho como elemento líquido do cozimento das carnes, impregnando-as dos aromas e sabores dos vinhos, “deglaçar” (técnica francesa que consiste em desprender o fundo de cozimento e dissolvê-lo para formar a base de um molho), ou ainda para aromatizar frutas e molhos de sobremesa.

Nem sempre se usa o vinho puro, pois alguns chefs dizem que para os molhos não ficarem muito carregados, deve-se usar uma parte de vinho para duas ou três partes de líquido ou creme, resultando num melhor equilíbrio e elegância dos aromas e dos sabores.

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O cuidado principal é para não queimar o vinho, o que daria sabor acre no preparo. Para tanto, tenha o cuidado de sempre deixar um pouco de água no recipiente usado para assar a comida. 

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As principais dicas para usar o vinho como ingrediente das receitas ficam por conta de:

– Não use, para o preparo do prato, um vinho que você não beberia. Se ele não é de boa qualidade, não o use para cozinhar. Assim sendo, nada de guardar o vinho que você acha que está estragado para colocar na comida!

– Sempre que for preparar uma receita use o vinho da região ou que foi produzido com a uva típica da região. Por exemplo, no preparo de um “boeuf bourguignon” use um Borgonha ou um vinho a base de Pinot Noir e nunca um Bordeaux ou um vinho de Cabernet Sauvignon, pois isto alteraria completamente o sabor que se pretende dar ao alimento.

– A madeira do vinho pode alterar o sabor da receita. Opte por vinhos mais simples e varietais, sem necessariamente serem vinhos tratados no carvalho.

– Ao acrescentar o vinho como ingrediente, o que se faz em geral é agregar acidez à preparação para promover novos sabores. Use vinhos secos de boa para alta acidez como Sauvignon Blanc, ou espumantes (bruts). Muitos chefs susam vinhos brancos nas suas cozinhas para não escurecer preparações de carnes brancas como frangos ou carne de porco. Para usar tintos, opte por Merlot, Pinot Noir, Cabernets leves, a menos que a receita explicite o vinho que deverá ser usado. Alguns chefs gostam de cozinhar utilizando vinhos brancos doces nas preparações, mas é bom lembrar que o açúcar residual destes vinhos pode alterar o sabor final das preparações.

– Por conta do álcool contido no vinho é importante incorporá-lo no princípio do cozimento, para que ele se evapore. O tempo de evaporação do álcool varia conforme o volume de vinho acrescentado à receita e teor alcoólico da bebida.

– Há ainda uma dica fundamental, nunca sirva uma receita que não tenha sido feita por você antes, pois cada prato é algo em especial e os vinhos trazem dentro de si o efeito de safras, que podem alterar sabores. Opte por vinhos mais jovens, frescos, de boa acidez e pratique a receita antes de servir naquele Jantar de Gala. Desta forma você estará se prevenindo quanto as surpresas, que sempre podem acontecer.

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Contatos: Márcio Oliveira – contato@vinoticias.com.br

A acidez dos vinhos e sua importância

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Quando nos iniciamos nos segredos da degustação é normal que fiquemos seduzidos pelo perfil aromático e os sabores do vinho. Entretanto, na medida em que o conhecimento vai se aprofundando, outros temas entram no nosso foco de discussão, como a questão da mineralidade, a formação da cor, a estrutura e harmonia dos vinhos, bem como questões mais técnicas como açúcares, ácidos e a complexidade.

De forma geral dizemos que a acidez do vinho é caracterizada na prática pelo quanto a bebida nos faz salivar, e apesar de que os limiares de salivação possam ser pessoais, a acidez pode ser medida de forma objetiva pelo pH do vinho. O pH é um dos fatores mais importantes porque afeta vários aspectos do vinho: o visual, o aroma, o paladar, além da própria longevidade do produto.

O conceito de pH teve origem com o bioquímico dinamarquês Soreson (1868-1939). O termo é francês, “pouvoir hydrogène”, significando o poder do hidrogênio. Ele mede a concentração de hidrogênio presente numa solução usando um medidor de pH, numa leitura direta. Em termos simples, ele mede a força da acidez. A escala vai de 0 a 14, com 0 sendo muito ácido e 14 alcalino (soda cáustica). Com pH 7, a solução é neutra, como é o caso da água pura destilada.

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Os vinhos são produtos naturalmente ácidos, com a maioria indo de 2,8 a 4,0. Numa primeira impressão, a variação de pH é pequena, no entanto, mesmo mínimas diferenças de 0,1, possuem impacto no aspecto visual, no perfil aromático, nas características organolépticas e na capacidade de envelhecimento dos vinhos. Como vemos, o assunto é complexo, e pior ainda quando se sabe que pode ser manipulado tanto no vinhedo quanto na vinícola.

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O pH e a Cor do Vinho

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Nos vinhos tintos, níveis de pH muito baixos estão acompanhados por uma cor roxa brilhante. Na medida em que o pH vai aumentando, sombras azuladas aparecerão. Em níveis altos de pH, reflexos marrons ficam evidentes. Dirceu Vianna Jr – brasileiro Master in Wine, diz que usando a Itália como exemplo, seremos capazes de comparar a Negroamaro do clima quente do sul – que tende a apresentar notas amarronzadas muito prontamente, indicando altos níveis de pH e portanto uma acidez elevada – contrastando com o Valpolicella, proveniente do norte, que é frequentemente dominado pela uva Corvina e tende a apresentar notas jovens roxas, indicando um vinho com baixo nível de pH ou menor acidez.

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O pH e o Aroma
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Uma mesma variedade de uva pode ter diferentes tipos de aromas dependendo de onde são cultivadas. Mesmo que isto possa ocorrer devido a vários fatores, como o clima, tipo do solo, práticas vinícolas e escolhas feitas durante o processo de vinificação, níveis baixos de pH denotam notas de frutas vermelhas frescas, enquanto níveis altos de pH apresentam toques de frutas negras e de chocolate.

Isso também fica evidente na hora da degustação. Muitos produtores concordam que, em níveis baixos de pH, a fermentação ficará mais lenta, resultando em um sabor melhor. Com pH 3,6 – o que é relativamente alto para uma uva como a Sauvignon Blanc, o sabor será áspero, embotado e fraco. Com um pH menor, por volta de 3, um vinho pode se tornar muito azedo.

Como todo o resto, o nível ideal é algo mediano. Em termos gerais, o nível perfeito de pH para brancos deve estar entre 3,1 e 3,4. Para tintos, a maioria dos produtores prefere atingir níveis ao redor de 3,3 e 3,6.

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O pH e o Envelhecimento do Vinho
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O nível de pH tem impacto direto na capacidade de envelhecimento da bebida durante a fase de guarda na garrafa. Geralmente, um vinho com níveis de pH mais baixos terá maior longevidade. Vinhos de regiões mais frias, onde temos menos presença do sol, tendem a ter maior acidez e pH mais baixo. Estes vinhos, por sua vez, tendem a ser mais longevos. Se alguém tem em sua adega uma garrafa de Chablis Premier Cru e uma de um Chardonnay australiano do sudeste da Austrália, é fácil adivinhar qual delas vai envelhecer com mais elegância.

O nível de pH varia de acordo com as condições da safra. Segundo Frederic Magnien, um qualificado produtor da cidade de Morey St. Dennis na Borgonha, o nível de pH dos vinhos de 2003 ficou ao redor de 3,8, em contraste com os 3,4 normais. Com essa informação, acreditamos que os vinhos de 2003 podem não envelhecer tanto quanto uma safra típica na Borgonha, cujo pH foi mais baixo. Se você os tiver na adega, prefira portanto, bebê-los antes.

Os níveis de pH estão intrinsecamente ligados ao estilo e qualidade dos vinhos

Um pH relativamente baixo, na faixa de 3,1 a 3,4, parece ser pré-requisito para a produção de vinhos de alta qualidade. Este é um aspecto essencial, mas dificilmente mencionado aos amantes de vinhos ou mesmo para os conhecedores. Não precisamos ser cientistas ou enólogos para entender o básico, porém agora sabemos algo mais sobre uma paixão para muitos.

O assunto da acidez em vinhos entretanto leva ainda em conta que ela pode ser tanto fixa quanto volátil. A Acidez Fixa é aquela proveniente dos ácidos presentes nas uvas (como o tartárico, málico, cítrico) e dos resultantes da fermentação (como o lático e succínico). A Acidez Volátil é proveniente de contaminações durante a fermentação pela ação de bactérias na presença do oxigênio. Se a Acidez Volátil for menor que 0,06%, ela é inevitável e até mesmo atraente. Mas se for maior que 0,14% indica produtos de baixa qualidade e com grande potencial para avinagrar! 

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No mais é provar e brindar!!! Saúde !!!
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(Baseado em artigos da internet)

Contatos: Márcio Oliveira – contato@vinoticias.com.br

A guarda do vinho

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Quando o tema é vinho, este é um dos assuntos que geram boas discussões, pois a afirmação “quanto mais velho, melhor”, não passa de uma “meia verdade”. 

E agora que as temperaturas começam a crescer, com a chegada da Primavera e depois o Verão, sempre fica a dúvida de como melhor conservar as qualidades do vinho?

Assim que o vinho é engarrafado, ele terá um ciclo de vida até atingir seu apogeu. No início, geralmente terá aromas primários (os da fruta) para depois hibernar e desenvolver aromas mais finos ressaltando os aromas da vinificação (secundários) e o bouquet (aromas terciários). No paladar, nesta última fase, o vinho atingirá todo seu esplendor em termos de complexidade e retrogosto. Os taninos estarão afinados por sua polimerização, havendo equilíbrio álcool-acidez-tanino para os tintos; álcool-acidez para os branco-secos e álcool-acidez-açúcar para os brancos doces.

Um vinho de guarda já nasce com essa missão; sua longevidade está diretamente ligada a qualidade da matéria-prima e do processo de vinificação. Boa parte dos vinhos atuais é feita para ser bebida jovem. Já estão “prontos” na garrafa e não se ganha nada com sua guarda. Pelo contrário, corre-se o risco dele perder suas melhores características.

Vários fatores influenciam a evolução e envelhecimento do vinho: a luz (basta um bom nível de penumbra. As partículas de luz produzem um tipo de oxidação diferente do ar, a foto-oxidação, que altera a composição molecular do vinho), o calor (temperaturas baixas retardam o envelhecimento; temperaturas mais altas aceleram-no), as variações bruscas ou oscilações de temperatura (que são piores que calor demasiado), as vibrações (o movimento é maléfico só quando é constante), e a presença de odores fortes (por tempo longo, pode contaminá-lo), prejudicarão o amadurecimento natural e lento do vinho fino.

umidade ambiente deve estar entre 45 e 75%. Abaixo disso, as rolhas ressecam e se desmancham. O excesso de umidade facilita a formação de fungos na rolha, podendo contaminar o vinho ou deteriorar as etiquetas.  Para evitar que a rolha resseque e permita a passagem de oxigênio, os vinhos devem ser guardados na posição horizontal, mas existem exceções como os espumantes e vinhos fortificados (Porto, Jerez por exemplo). O ar (oxigênio) acabará com os aromas do vinho através da sua oxidação. A temperatura ideal para o envelhecimento do vinho é entre 12° e 14° C; os efeitos nocivos não são significativos até os 20º C.

Um grande vinho que tenha sido trazido de uma viagem longa, deve ser deixado em repouso por uns dias em local adequado, para que muitos compostos químicos do vinho possam conjugar-se novamente, tornando-o mais complexo e interessante.

Quando então o vinho estará pronto para ser bebido? Para surpresa dos experts, em várias degustações verticais às cegas, safras mais jovens e menos valorizadas de um mesmo vinho, podem obter melhor performance do que safras mais valorizadas e menos evoluídas. A verdade é que a vinificação, na última década, tem evoluído e muitos vinhos são prazerosos mesmo na sua juventude.

O tempo máximo de guarda de um vinho não deve ser o prazo máximo que ele suporta antes de se deteriorar, mas sim o período em que ele ainda está na plenitude de suas características, de sua tipicidade. O ideal é bebê-lo no seu apogeu. Com a garrafa aberta, o vinho entra em contato com o oxigênio e irá oxidar-se. Para conservá-lo tampe a garrafa com a própria rolha, e coloque-a na porta da geladeira, procurando bebê-la em dois a três dias. Outra solução é utilizar a bomba de vácuo ou vacu-vin, em francês, ou wine-saver, em inglês. Assim o vinho poderá ser conservado na porta da geladeira na posição vertical ou em local bem fresco, permanecendo em boas condições por uma semana.

A questão do lugar de guarda faz diferença? Sabemos na teoria que o local de guarda influencia a evolução dos vinhos. Este tema sempre vem à tona, e para responder a questão na prática, já foram feitas pesquisas com garrafas de um mesmo vinho sendo armazenadas em vários locais por um ano: na geladeira, no armário da cozinha, num sítio na montanha, embaixo da escada, na casa de praia, no closet, na área de serviço, entre outros.

Descobriu-se que a temperatura baixa da geladeira ajuda a segurar o envelhecimento de um vinho pronto para beber, mas a trepidação do motor pode prejudicar. A escada é aparentemente um bom local para guarda, mas o movimento das pessoas subindo e descendo o torna instável.

Na degustação realizada às cegas, por um time de experts, a amostra da geladeira foi a melhor considerada (entretanto, com a temperatura abaixo de 12ºC o vinho hiberna e não evolui os aromas e sabores complexos que tanto buscamos). Depois ficou a garrafa guardada na adega climatizada (temperatura estável, ambiente sem luz direta ou trepidações). Em terceiro lugar a garrafa guardada num closet com poucas oscilações de temperatura e ambiente escuro para repouso. Verificou-se que a pior amostra foi a garrafa guardada na área de serviço, junto com os produtos de limpeza.

Contatos: Márcio Oliveira – contato@vinoticias.com.br

Como a Espanha encontra elegância rompendo com a tradição

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Por Márcio Oliveira

Arqueólogos especializados sobre vinhos dizem que a origem das variedades de uvas na região espanhola remonta aos anos de 3000 a.C. Mas, seguramente, foram os povos fenícios que, por volta de 1100 a.C., começaram na província de Cádiz a cultura das vinhas, que depois foi desenvolvida pelos cartagineses.


Rio Guadalquivir na Espanha  

Na Andaluzia, Tartessos se estabeleceram ao longo do rio Tartessos, agora chamado Guadalquivir. Eles tinham contato freqüente com os fenícios e egípcios. Os fenícios colonizaram o sul da Espanha e estabeleceram cidades como Malaca (Málaga), Gades (Cádiz), Cartago Nova (Cartagena), Onoba (Huelva) e outros sítios na Andaluzia e as Ebusos Baleares (Ibiza). Em seguida, foram os gregos que vieram para Tartessos. Os cartagineses tinham se estabelecido na Espanha, no século III a.C., na cidade de Cartagena com base no sul do Murcia.

Como todas as regiões da Europa, os romanos foram os responsáveis pelo desenvolvimento da produção e comercialização dos vinhos. O imperador romano Augusto completou a conquista da Península Ibérica no século I a.C. e ali os romanos impuseram sua lei, sua língua e arquitetura.


Península Ibérica  

Península Ibérica foi o local de muitas batalhas entre romanos como a guerra entre Pompeu e Sertório em 77 a.C. (apoiante de Mário), ou guerra civil entre Júlio César e partidários de Pompeu alguns anos mais tarde. E mostrando a importância da região, a Espanha não era apenas uma colônia romana, sendo berço de vários imperadores romanos: Trajano, Adriano e Teodósio Maxime. O vinho e condimentos feitos na Espanha eram muito consumidos em Roma.


Os vinhos espanhóis eram muito consumido pelos romanos  

Nos séculos seguintes, os povos que dominaram esta região, deram continuidade na viticultura. Na dominação dos mulçumanos, o vinho era usado como remédio. Durante este período de domínio muçulmano na Espanha, haverá uma fusão com a cultura de origem árabe, beneficiando técnicas agrícolas, novas tecnologias na arquitetura, desenvolvimento dos trabalhos com couro, criação de bibliotecas como a de Córdoba, favorecendo o desenvolvimento da matemática e literatura.

Vinho consumido como remédio durante o domínio muçulmano  

Nos séculos XI e XII, depois de atingir o seu pico, o Califado de Córdoba é dividido em pequena Taifas após a invasão da Espanha por tropas berberes Almorávidas e Almóadas, o que permitirá que os exércitos cristãos comessem a reconquistar lentamente no restante do território. Em 1 de Janeiro de 1492, com a vitória dos Reis Católicos Fernando e Isabel, o governo muçulmano liderado pelo Boabdil de Granada, entrega a última porção muçulmana que restava. Com a retomada da região pelos cristãos, o vinho voltou a ser consumido como bebida.

Do século XI ao XVIII a produção de vinhos na Espanha estava concentrada na cidade medieval de La Guardia, no Reino de Navarra. Em 1865, a Filoxera atacou os vinhedos da França. Os franceses decidiram então arrancar todos os vinhedos, e plantar “cavalos” de videiras americanas com os enxertos das suas principais castas de uvas. Como iria levar um tempo para voltar a produzir, os produtores de Bordeaux decidiram investir em vinhedos na Espanha, onde a Filoxera não havia ainda chegado.


Vinhedos   
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Levaram consigo toda a tecnologia e, principalmente, os recursos financeiros, e de certa forma a Espanha foi beneficiada, pois muitos dos vinicultores franceses migraram para algumas de suas regiões, como Pirineus, La Rioja, Navarra e Catalunha, levando consigo variedades de uvas e tecnologia a ser implantada na produção espanhola, que então se consolidaria. Na Rioja, por exemplo, a cidade escolhida para o desenvolvimento da produção do vinho foi Haro, e no fim do século XIX, toda a região floresceu. Haro foi a primeira cidade da Espanha a ter eletricidade, antes mesmo de Madri e Barcelona. A economia cresceu e circulava tanto dinheiro na época, que o governo espanhol abriu uma agência do Banco de Espanha, na cidade de Haro.

Alguns anos depois, com os vinhedos na região de Bordeaux voltando a produzir, os franceses abandonaram Rioja. Em 1899, a Filoxera finalmente chegou em Rioja. 70% dos vinhedos foram perdidos. Os espanhóis, no entanto, já estavam preparados. Como precaução, haviam feito uma grande reserva de vinhos, que os ajudou a se manter enquanto recuperavam os vinhedos. Mas a Espanha acabou sofrendo alguns problemas em sua produção, entre eles, a Guerra Civil Espanhola e também a Segunda Guerra Mundial.

Espanha é o berço de alguns dos melhores vinhos do mundo  
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Na segunda metade do século XX, o vinho espanhol conheceu um novo progresso. Desde a década de 1990 a indústria vinícola espanhola, tem passado por profundas transformações. O processo de modernização não se limitou apenas aos vinhedos, incluindo também a regulamentação do setor, o que fez com que o país se tornasse o berço de alguns dos melhores vinhos do mundo.

Espanha detém a maior área de vinhedos do mundo  

Hoje a Espanha detém a maior área de vinhedos do mundo e é o terceiro maior produtor, ocupando maior parte da Península Ibérica. E o mundo dos vinhos espanhóis nunca foi tão cativante como agora, pois as ofertas de rótulos do país continuam melhorando e se destacando. Regiões como Ribera del Duero, Rioja, Bierzo e Priorat se destacam nas recentes safras e degustações de vinhos de toda a Espanha. Outras partes do país, como o Levante (sudeste da Espanha), Málaga, Ilhas Canárias e Galiza no noroeste, também mostraram sua força e potencial.

Uma das tendências mais importantes que estão acontecendo agora é o afastamento dos vinhos tintos altamente extraídos, encorpados e muito marcados pela madeira. Os produtores de vinho em toda a Espanha estão mudando para tintos mais frescos, leves e elegantes, mesmo em áreas conhecidas pelo estilo de vinho tradicional.

Por exemplo, na região de Priorat, na Catalunha, vários vinhos mostram mais elegância e rapidez para estarem prontos e serem bebidos. Rioja também mostra elegância, enquanto em todos os cantos da Espanha, o mantra do “primeiro frescor” está criando valor.

Em suma, mais do que nunca, agora é o momento certo para desfrutar desta generosa evolução do vinho da Espanha.

Uva tempranillo  

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Cinco coisas que você não sabia sobre Tempranillo

Cultivado na Península Ibérica desde 1100 a.C., Tempranillo não é apenas a espinha dorsal de muitos vinhos tintos notáveis da Espanha, mas uma das uvas mais famosas do país. Seu nome vem da palavra espanhola temprano, que significa cedo, o que é adequado, porque essa uva geralmente amadurece antes de outras. Normalmente de corpo médio a pleno e estruturados por taninos firmes, essas garrafas geralmente envelhecem bem. Com sabores que podem variar de frutado a herbáceo, há um Tempranillo para todos os amantes de vinho.

Não há dúvida, Tempranillo é a uva de vinho da Espanha. De Rioja a Navarra e de Ribera del Duero a Toro, La Mancha e Penedès, é a uva que define o vinho tinto espanhol. Por conta de sua adaptabilidade a outras regiões e climas, o Tempranillo também pode ser encontrado em países como Portugal, Argentina e Estados Unidos, entre outros.

Tempranillo é a uva de vinho da Espanha  

♦No dia 8 de novembro passado, o mundo celebrou o Dia Internacional do Tempranillo e, à luz dessa convocação global, oferecemos cinco coisas que todo amante de vinhos deve saber (mas talvez não saiba) sobre essa sensacional uva espanhola.

♦ É muito, muito velho. Tempranillo é nativo da Península Ibérica e remonta a antes da época de Cristo. É cultivada na Espanha desde que os fenícios se estabeleceram em 1100 a.C.

♦ É uma uva de amadurecimento precoce. Tempranillo é derivado da palavra temprano, que em espanhol significa “cedo”. Entre as variedades tintas da Espanha, é considerado uma uva que amadurece antes das outras tintas.

♦ Tem muitos apelidos. Tempranillo tem cerca de 74 sinonímias diferentes em todo o mundo, dependendo de onde é cultivado. Chama-se Tinto Fino na Ribera del Duero, Tinta de Toro em Toro, Ull de Llebre na Catalunha, Cencibel em La Mancha e Tinto Roriz em Portugal no Douro e Aragones no Alentejo, só para citar alguns dos seus nomes.

♦ É um varietal muito clonado. Existem cerca de 500 clones de Tempranillo somente na Espanha. Tinto Fino e Tinta de Toro são os mais conhecidos.

♦ Tem um mutante branco. Embora raro, o albino Tempranillo existe em Rioja. É uma uva para vinho branco aprovada nesta região e produz um vinho cítrico, relativamente simples, semelhante a Viognier em peso, sabor e estilo geral.

Albino Tempranillo  

Ao longo da evolução e revolução do vinho na Espanha, os vinhos antes carregados de carvalho do tempo em que eram maturados nas barricas, foram encontrando novos processos de vinificação e maturação, alçando um grau de elegância que fascina o amante de vinhos, mesmo num rótulo mais simples. (baseado em artigos sobre a História do Vinho e da Espanha).

Plantação da uva tempranillo  
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BEBA COM MODERAÇÃO
PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS

O vinho é fit mas durante a pandemia, beba moderadamente!

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De vez em quando aparecem notícias na internet de que uma taça de vinho equivale a uma hora de academia. E de acordo com um estudo da Universidade Alberta, do Canadá, uma taça de vinho tinto tem realmente efeitos equivalentes no seu corpo à uma hora de academia. Jason Dyck, líder da pesquisa, alega que isso se deve às altas quantidades de resveratrol presente no vinho, que é um poderoso antioxidante presente em alguns alimentos como pele e sementes das uvas, vinhos tintos, amendoins, nozes e romã.

Dyck explica que os benefícios obtidos com o resveratrol são similares aos obtidos na academia, já que eles melhoram a performance física, aumentam os batimentos cardíacos e a força muscular, do mesmo jeito que um exercício na academia. Desta forma, muita gente vai imaginar que pode abandonar a academia, mas em tudo na vida há bônus e ônus!

Apesar do glamour que envolve o vinho, não podemos esquecer que ele é uma bebida alcóolica como qualquer outra e daí, engordará mais quem consome mais gramas de álcool, seja presente em vinho, cerveja ou uísque. A questão é que vinho a pessoa vai tomando sem perceber, acompanhado de uma boa conversa com um amigo, já que é uma bebida de convivência, mas a tendência é que termine bebendo mais. Se você beber só uma taça (cerca de 200 ml) de vinho, vai ingerir cerca de 170 calorias, mas se passar para mais que duas já terá ingerido 510 calorias – o mesmo que um copo de 200 ml de uísque, que, convenhamos, é bem mais difícil de engolir que o triplo de vinho.

O álcool é tão calórico por ser resultado da fermentação ou destilação do açúcar e, nesse processo, ganha mais 3 calorias por grama. Ou seja, 1g de açúcar tem 4 calorias; 1g de álcool tem 7 – quase o dobro! Dá pra entender por que, em excesso, ele engordará você. E o pior é que, uma vez ingerido, o álcool continua a se comportar como um carboidrato, que, no processo de digestão, vira glicose e, por fim, gordura estocada bem ali, na região abdominal.

Claro que não é o vinho isoladamente que fará você engordar. O consumo está associado à ingestão de petiscos como queijos, salaminho, presunto e patês que são gordurosos e também aumentam o acúmulo de gordura na barriga e geralmente acompanhados de pães.

Mas voltemos aos benefícios! Provavelmente a melhor opção além de um consumo moderado, seja alternar os dias na academia com uma taça de vinho, já que ele acelera o metabolismo e pode te emagrecer. Isto mesmo !!! Além de fazer bem para o coração, o vinho acelera o metabolismo e emagrece. Foi a essa conclusão que chegou uma nova pesquisa feita com ratos na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e publicada no International Journal of Obesity.

A explicação é a de que o revesratrol — um polifenol presente nas cascas das uvas e no vinho tinto —, que tem o papel de retardar o envelhecimento, também ajuda a emagrecer. Segundo o professor e líder da pesquisa Min Du, os animais que consumiram o revesratrol de uvas e vinhos tintos conseguiram acelerar o metabolismo e queimar mais gordura. Mas vale lembrar que as quantidades de revesratrol são maiores na fruta do que no vinho, já que os polifenóis são insolúveis e acabam em parte sendo filtrados no processo de produção. O resveratrol é um potente antioxidante e protege o organismo dos radicais livres o tempo todo (poluição, alimentos industrializados, metais pesados) e ajuda a deixar o corpo mais saudável. Também é rico em flavonoides que ativam as reações bioquímicas do organismo e acelera o metabolismo.

Em resumo, parece que o melhor para sua vida será ter uma dieta saudável e moderada de consumo de vinho, além de evitar uma vida sedentária. E isto é super válido nestes tempos de pandemia!

Beba vinho com ceviches, carpaccios, cenourinhas, canapés com queijos magros, carnes mais magras (como a maminha) ou amêndoas (em vez do amendoim), evitando os couverts com pães e massas.

Afinal, a vida é muito curta para se perder a chance de beber grandes vinhos !!! (baseado em artigos médicos, de nutricionistas e as pesquisas citadas).

Contatos: Márcio Oliveira – contato@vinoticias.com.br

#proibidoparamenoresde18anos

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